O FUTURO DA MODA

Postado em 19 February 2017

Crédito: Redress 

UMA CONVERSA COM CHRISTINA DEAN, FUNDADORA E CEO DA REDRESS

Christina Dean é a fundadora e CEO da Redress, uma ONG pioneira da moda sustentável. Após abrir as portas em Hong Kong, em 2007, a Redress agora influencia positivamente a indústria da moda em diversos continentes. Como palestrante frequente sobre o tema de moda sustentável e com uma aparição no documentário True Cost, Christina foi eleita uma das “Top 30 Mulheres Inspiradoras” pela Vogue UK. Tive o prazer de trabalhar com ela que, além de ser uma empreendedora dedicada e criativa, uma chefe inspiradora e mãe de três, é um ser humano incrível. Conversei com a Christina sobre o caminho da Redress e seus pensamentos sobre o futuro da moda.

Conte-nos mais sobre o seu caminho com a Redress.

Fundar e gerir (e respirar e viver!) a Redress tem sido uma imensa aventura profissional e pessoal. Meu próprio caminho, de dentista a jornalista focada em questões ambientais e, então, a fundadora da Redress, me mudou de forma profunda. Os primeiros anos da Redress me levaram a culpar, de forma unilateral, a indústria da moda pelos seus impactos negativos sobre o planeta. Porém, após certo tempo percebi, ao lançar um olhar crítico sobre os padrões de consumo da nossa cultura, que esses padrões andam em sincronia com a indústria e contribuem, também, para os problemas. Enxergar essa realidade soberba me ajudou a entender que nós, como consumidores da moda e cidadãos globais que realmente se importam com o nosso futuro, somos a única solução.

Como ele te afetou pessoalmente?

No nível pessoal, esse caminho foi muito libertador, pois me trouxe clareza de que não importa se estamos falando de onde vem a nossa moda, a nossa comida ou o nosso combustível – todos temos poder de escolha. Profissionalmente, tenho adorado guiar a Redress para inspirar mudanças positivas nos outros.

Para onde caminha a Redress nos próximos anos?

Estamos caminhando para consagrar o ideal de que mudanças positivas são possíveis na indústria da moda, seja inspirando designers, seja inspirando marcas, fornecedores, ou consumidores. A dura realidade é que posso trabalhar dia e noite que ainda chegarei no meu leito da morte sem ter resolvido grandes problemas, como o alto custo ambiental da indústria da moda, o barateamento dos seus preços e a enorme demanda por roupas conforme a população mundial cresce. Porém, uma grande diferença é que bem mais gente estará empoderada para realizar mudanças. Isso acontece direto. Mais pessoas entendem que precisamos mudar e mais pessoas estão fazendo isso acontecer. É muito animador.

Conte-nos sobre alguns dos desafios que enfrenta pela causa da moda sustenável.

O desafio fundamental da nossa causa é, simplesmente, que consumidores amam comprar roupas! As pessoas mostram quem são através dos seus guarda-roupas. Assim, a indústria da moda chega no coração das pessoas, as quais reagem com o desejo de comprar roupas novas, diferentes, roupas de verão, roupas de inverno! Mas eu acredito que as pessoas ainda possam celebrar a criatividade da moda e se expressarem – e, é claro, se divertirem! – de forma mais ética.

Se conseguisse prever o futuro, como será a moda?

Temos que parar de enxergar moda sustentável como algo “menos pior” do que a convencional. Ao invés disso, temos que olhar moda sustentável como algo essencialmente do bem. Acredito que seja perfeitamente possível converter nossos guarda-roupas em vitrines de inovação social, justiça, ética e estilo. É como se a Madre Teresa de Calcutá viesse ao encontro da passarela!

Ainda no futuro, o que me diz sobre designers e marcas de moda sustentável?

Os grandes nomes provavelmente serão dos que acabarem de se formar nas escolas de moda. Muito jovens designers não só são abençoados com uma diferente mentalidade – por serem de uma geração que se importa mais com questões sociais e ambientais do que qualquer outra – mas também se beneficiam do aumento do mercado para a moda sustentável, já que boa parte dos consumidores são da Geração Y, mais propensa a comprar produtos éticos. Novas marcas aparecerão em todo canto, pois o movimento em direção ao design sustentável está acontecendo, de Mumbai à Malásia, à Manhattan.
Crédito: Redress

Por: Lilian Liu

Crédito da foto: Redress

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